A vida vai te mostrar, vai te guiar.

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A real da Real Alagoas

Nesta última páscoa, viajei para Santana do Ipanema. Minha visita já é certa nesta época do ano.

E não só a visita foi a mesma, como as condições de viagem apresentadas pela empresa Real Alagoas, que incansavelmente, insiste em oferecer um serviço de “quinta categoria” aos seus consumidores, não só pela má qualidade, mas também, pela insegurança e ausência de conforto.

Se alguém me falasse, eu não acreditaria. Mas, como estava presente e vi com meus próprios olhos posso falar com propriedade.

Saimos de Maceió, na quinta-feira, às 6:30h. O ônibus já saiu com todos os seus assentos tomados e com algumas pessoas em pé. Durante a viagem até seu final, o motorista foi parando em vários “pontos” aleatórios da estrada, e “pegando” um número indiscriminado de pessoas, até se tornar insuportável a viagem, tanto para quem estava sentado, como e principalmente, para quem estava de pé. Muitos, praticamente, imóveis.

Em pé, encontravam-se mães com crianças de colo, idosos, portador de necessidade especial. Esta pessoas pagam passagem para ir em pé por uma, duas, três horas de viagem. Não tem suporte para se segurar, precisando se apoiar nas poltronas e por óbvio, perturbando quem está sentado e que também pagou pela passagem. Numa freada mais brusca ou inesperada pelo motorista, os que estão de pé, correm grande risco de se machucarem, pois cairiam por cima dos outros.

Na volta, no domingo, às 17:30h, a situação voltou a acontecer, porém de maneira pior, pois ao chegar na cidade de Cacimbinhas, muitas, mas muitas pessoas mesmo, tentando subir no ônibus já bem lotado desde quando saiu de Santana do Ipanema em direção à Maceió. Algumas subiram e algumas ficaram do lado de fora aos brados e altamente revoltados. A viagem seguiu tensa em razão da discussão de alguns usuários.

Novamente, pessoas sentadas tendo sua paz e conforto perturbadas pelos que, sem saída, tinham que ir de pé, pois totalmente desconfortáveis e inseguras e suas posições. É sabido pelas empresas que é proibido, por grandes distâncias, o transporte de pessoas em pé. Só é possível que todos permaneçam sentados conforme numerado ou determinado em suas passagens compradas durante todo o trajeto, conforme claramente exposto nos sites da ANTT e da ARSAL.

Volto a lembrar que esta situação, já pude presenciar várias vezes, independentemente de ser feriado ou não.

Tudo isso, nos leva a analisar a total negligência, descaso, falta de compromisso social da empresa Real Alagoas. Má prestação de serviço, ausência de responsabilidade civil e social, como se nada daquilo tivesse acontecendo. Já vi alguns ônibus sendo parados pela Polícia Rodoviária Federal, mas, pelo jeito, não é suficiente para coagir a empresa a agir com responsabilidade.

Importante abordar a total falta de segurança ao acolher, aleatoriamente, pessoas paradas na estrada. Já são amplamente conhecidas as histórias de que ladrões aguardam sorrateiramente a parada destes ônibus, haja vista que, quem está viajando leva consigo valores em dinheiro, aparelhos eletrônicos etc. O risco é enorme e eminente!

A única coisa que importa para a empresa Real Alagoas é a venda indiscriminada de passagens custe o que custar. Não possuem nenhum conhecimento da existência do código de defesa do consumidor. Não prezam pela qualidade e muito menos pela segurança de quem paga para ter uma prestação de serviço de, no mínimo, boa qualidade.

Revoltei-me muitíssimo com tal situação, não só por mim, mas por todos que ali estavam. Uma vergonha que em plena era digital, ainda existam empresas que mantêm comportamentos tão arcaicos, totalmente dissonantes da responsabilidade, do adequado, causando, grande angústia e revolta por parte daqueles que utilizam mal e porcamente de seus ínfimos serviços.

Se você tiver a curiosidade e acessar o site no link “a empresa” http://www.realalagoas.com.br/a-empresa/apresentacao, poderá ler a seguinte “pérola”:

“Comprometimento, excelência na prestação de serviços, segurança e conforto são atributos que fazem da Real Alagoas a opção preferencial em transportes coletivos e fretamentos. A Real Alagoas tornou-se uma referência em responsabilidade social, econômica e ambiental, objetivando a satisfação de clientes e usuários, bem como se tornou a melhor escolha profissional e a empresa que mais investe em capital humano.

Atuando com profissionalismo e responsabilidade, respeitando, sobretudo os princípios éticos, a Real Alagoas reafirma o seu compromisso na contribuição do desenvolvimento socioeconômico do Nordeste e a modernização nacional, viabilizando um ambiente de trabalho motivador e saudável.”

Daí pergunto: comprometimento?? excelência na prestação de serviços?? segurança?? conforto?? Quanta falta de nexo, de ética, de responsabilidade. Nossa, quanta mentira! Publicidade enganosa! Quanta imoralidade praticada contra aqueles que de maneira relevante colaboram para que a empresa se mantenha.

A situação é crítica e preocupante, e efetivamente, nada tem sido feito para se coibir tais práticas. Lamentável!!

Como a empresa Real Alagoas não possui concorrentes, usa e abusa, visando apenas o lucro. O resto é resto! Esta é a real da Real Alagoas.

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Um tapinha não dói!

A chamada  “Lei da Palmada” foi aprovada na Câmara. Ainda passará pelo crivo do Senado.

Esta lei vem propor a punição aos pais que castigam seus filhos através das palmadas (castigo físico), prevendo penas socioeducativas e até o afastamento de seus filhos. A lei também traz algumas emendas ao estatuto da criança e do adolescente, uma vez que determinava a punição por maus tratos, mas não havia conceituado o que era.

Mas, sinceramente: era só o que estava faltando mesmo!

O Estado deve interferir na educação que os pais dão aos seus filhos? ou ainda controlar os métodos de como educa seus filhos? O Estado não faz sua parte e vem dizer aos cidadãos como educar seus filhos??

Como sempre o Estado inventa determinadas situações para maquiar outras. Tira nossa atenção para um assunto, quando o foco deveria ser outro.

É o absurdo dos absurdos! Só falta eles colocarem policiais na casa de cada família para vigiar, quando tantos assaltos e violência estão em nossas ruas.

Falta: educação, saúde, segurança, fiscalização maior quanto à corrupção e a efetiva aplicação da pena, políticas públicas de emprego, e tantas outras coisas tão mais relevantes quanto isso.

Os pais não “podem bater”, mas o Estado pode deixar de fiscalizar a estrutura de suas escolas, de oferecer a merenda às crianças e material didático adequado.

Quanto incoerência! É assim, quando não tem se nada de bom a fazer, faz-se o que não deve. Cabeça vazia, casa do diabo! O Estado ao invés de se preocupar com o que realmente deve, preocupa-se com as palmadas que os pais dão em seus filhos.

Quantas mulheres comparecem às delegacias dando queixa de seus maridos violentos, e que por várias vezes, acabam mortas pois não foi dada a atenção devida, achando um exagero por parte das vítimas.

Não tem lógica, diante de tanto descaso do Estado que agora, queira impor limites à educação imposta pelos pais.

Tomei umas boas palmadas e castigos quando criança e não me deixaram sequelas, traumas, muito pelo contrário, disciplinou-me, ensinou-me, impôs limites. Sabia que tinha a presença de pessoas que zelavam por mim e pela min ha educação. Sabia que se fizesse algo errado, o castigo viria. Não repetia mais as baboseiras que tinha feito. Uma surra bem aplicada e no momento certo, é um santo remédio sim! Nem sempre uma conversa resolve determinadas situações.

Inclusive as “crianças mais espertas”, mais maduras, poderão se utilizar desta lei para ameaçarem os pais que se baterem ou fizerem qualquer tipo de imposição. Os pais poderão se tornar reféns. Situação esta já narrada por várias pessoas.

Não concordo com a violência gratuita a nenhum ser humano, mas a imposição destes limites é ridícula e não trará nenhum benefício as crianças, que por sua natureza são tiranas e não entendem até onde podem ir. E é nesta hora do abuso por parte da criança, que a palmada vem para alertá-la! É claro que toda vez que uma criança está sendo reprimida, ela deve saber o por quê está sendo, tem o direito de saber dos motivos que a levaram a ser castigada.

O Estado mais uma vez pecou. Não faz o que deve ser feito e se intromete onde não deve. Muito faz quem não atrapalha!

Aborto

O aborto é assunto delicado, devendo ser tratado com atenção e responsabilidade.

Qualquer mulher que sofre o aborto por razões alheias a sua vontade, por uma condição física que não lhe permite, até então, seguir com  a gravidez em frente, sente-se, pessoalmente, insegura, incapaz, ferida. Claro que isso é temporário, até se recuperar e novamente estar em condições físicas e emocionais para gerar uma nova vida.

Se de uma maneira inconsciente, é difícil tal situação, tento imaginar aquela mulher que opta, conscientemente, em realizar o aborto. Por favor, não estou aqui, criticando quem o faz. Afinal de contas cada um sabe de si. Estou levantando a questão que a decisão em si pode trazer após a consumação do ato, sejam por quais questões forem, pessoais, religiosas, jurídicas, sociais etc, deve ser imensamente árdua, amarga.

Alguns são contra a descriminalização do aborto, outros não. Debate relevante, porém, perigoso e que deve ser analisado com cautela. Uns consideram o aborto um crime contra a vida, e outros o consideram um direito que a mulher tem de dispor de seu corpo com autonomia.

Não devemos esquecer que há previsão legal para que se efetue o aborto, sendo oportuno ressaltar que em nosso Código Penal, em seu artigo 128, que autoriza o aborto em dois casos específicos, quais sejam:

Art. 128 – Não se pune o aborto praticado por médico:

        Aborto necessário

I – se não há outro meio de salvar a vida da gestante;

Aborto no caso de gravidez resultante de estupro

II – se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.

E, ainda, esta se discutindo sobre a possibilidade de liberação de aborto de anencéfalos, haja vista que em sua esmagadora maioria, nascem sem vida ou sobrevivem apenas alguns dias após o parto.

Além deste ponto, leva-se em consideração também: qual o exato momento em que se considera o início da vida? Existem algumas teorias que levam em consideram para garantir seu início:  quando há a fecundação;  quando o feto se fixa na parede do útero; quando iniciada a atividade cerebral que é por volta de oito semanas de gestação; entre outras. Estas teorias são consideradas tanto na esfera jurídica como religiosa.

Mas, independentemente de teorias, quero levantar que sempre que ouvi ou vi alguma mulher passar por esta situação, o processo até se chegar a decisão final, e a própria decisão em si, é extremamente difícil, angustiante, sofrido, e que na maioria das vezes, após o feito, aquela que praticou, arrepende-se, e creio que levam por toda a vida culpa dentro de si.

Acho mais interessante que para o número de abortos diminuir, principalmente, na adolescência, até porque o aborto também é praticado por todo tipo de mulher seja qual for sua condição econômica, social ou profissional, é apresentar campanhas severas e eficazes de educação sexual. Porque para muitas pessoas, pode-se considerar o aborto como uma grande escapatória para a falta de irresponsabilidade por não saber levar uma vida sexual madura.

Não consigo admitir o que pode passar na cabeça de uma mulher, quando se vê inesperadamente grávida e que nem por isso esperava! Creio que deve dar uma sensação de desconforto, medo à primeira vista…mas, até o ponto de pensar, e realmente colocar em prática o aborto? Por que não assumir uma responsabilidade que você mesma produziu por sua mera falta de cuidado? Se aquela criança foi gerada, é porque tinha algo a acrescentar. Não temos o direito de condenar uma criança, por uma atitude minha mal planejada.

Será que a mãe prefere abortar e carregar dentro de si esta culpa, este peso a assumir seu filho? Entendo plenamente que deve dar uma frio na barriga, um receio desta experiência tão única, mas a ponto de não deixar aquela vida prevalecer! Eu não conseguiria. Assumiria meu filho seja de que forma fosse e cuidaria dele, pois se foi enviado é porque tenho que cumprir mais esta missão.

Alguns admitem que o aborto é uma forma que a mulher tem de dispor de seu corpo da maneira que melhor lhe convier, e quando há imposições legais, estas vem suprimir-lhe este direito. Daí então pergunto: mas antes de engravidar, e por ser tão independente, por que não se cuidou, não se preveniu da maneira mais adequada? Isso sim é que é livre disposição de seu corpo, levando em conta a consciência pelos atos efetuados e que devem ser assumidos.

Pessoalmente, acredito que a maneira menos sofrida e que trará melhores condições pessoais de seguir em frente é assumir e deixar a gravidez seguir seu rumo normal. Não abra mão de proteger a vida, vida esta que você colaborou efetivamente para que se originasse.

Portanto, não concordo com a ampliação das opções em descriminalizar o aborto. Nosso país não é tão maduro para que uma idéia desta seja amplamente difundida e liberada.

Exame de ordem: um mal necessário.

Acredito que este seja o assunto mais falado entre os alunos que estão na fase final do curso de direito oferecido pelas mais variadas instituições de ensino público ou privado de nosso país.

Ao se graduarem, aqueles que pretendem exercer a advocacia, devem se submeter ao exame da ordem. Existem mais pessoas contra do que a favor do exame. Mas, só estão contra porque a porcentagem de reprovação tem sido altíssima.

Tem sido exposto inclusive que o exame é inconstitucional!? Pra mim, esta alegação já é demais, não guarda coerência! Aqueles que terminam a faculdade de direito são apenas considerados bacharéis, havendo necessidade de que se desejam se tornar magistrados, advogados, defensores, procuradores, promotores etc. devem se submeter a suas respectivas avaliações, concursos, para, então, poderem efetivamente exercer seus cargos tão sonhados.

Não consigo entender tanta discussão e revolta contra o exame. Admito que a organização e a complexidade do exame tem deixado a desejar, mas, se existem os que são aprovados, é porque não está impossível! Difícil sim, porém, não impossível!

O exame deve permanecer. Se com o exame, é possível existirem profissionais sem a menor condição de atuar de maneira eficaz na defesa dos direitos do alheio, imaginem sem o exame??!!

Paremos de reclamar e vamos estudar, vamos nos dedicar. As pessoas ingressam na faculdade e acham que é um cursinho qualquer. Faculdade é opção de vida, escolha de um caminho que marcará sua vida para sempre! É um ato de responsabilidade, de comprometimento, de autoestima, de discernimento.

Alguns alegam que por que só o curso de direito possui este exame e os outros cursos não! Temos que parar de pensar desta maneira. E fazer uma campanha para que todos os cursos universitários também utilizem desta maneira de avaliar e de liberar seus profissionais no mercado de trabalho!

O aluno ao tomar consciência de que o que o espera é algo altamente exigente e coerente, fará a faculdade com outra mentalidade, dedicando-se verdadeiramente ao que realmente interessa. Paremos de inventar desculpas e protestar para que o exame acabe. Nada disso! Enfrentemos o exame de peito aberto, com coragem e com responsabilidade.

Vamos provar que somos capazes de passar pelos processos seletivos com a cabeça erguida e cheios de orgulho. O exame  deve existir sim. Pode não ser o sistema mais correto, porém, é o que existe. Preparemo-nos!

Neste sentido, o ilustre Miguel Reale Jr.  fez um brilhante texto sobre o exame de ordem no jornal O Estado de São Paulo, que vale a pena ser lido tanto pelos que são a favor como pelos que são contra.

Miguel Reale Júnior – O Estado de S.Paulo

A vida desenrola-se regida pelo Direito. O velho brocardo “onde está a sociedade está o direito” é absolutamente verdadeiro, pois as relações entre as pessoas e entre estas e o Estado são reguladas por regras jurídicas.

O Código Civil enuncia que toda pessoa é capaz de direitos e deveres e a Constituição lista os direitos e deveres individuais, além dos direitos sociais e políticos. Assim, a vida de qualquer cidadão está regida pelo Direito.

Conhecer esses direitos, bem como os deveres decorrentes, é essencial na vida comum de todo cidadão. Esclarecimento acerca dos limites do exercício de direitos e do cumprimento dos deveres é tarefa própria do advogado, ao qual cabe bem diagnosticar a situação concreta apresentada e dar a orientação correta. Um conselho certo evita prejuízos, afasta conflitos desgastantes e permite a conciliação.

Se for necessário pleitear em juízo a satisfação de uma pretensão legítima, é preciso enquadrá-la na ação judicial apropriada à espécie perante o juízo competente e de forma compreensível, tarefa essa exclusiva do advogado. O advogado realiza, portanto, trabalho de interesse geral, como veículo de efetivação da justiça, a ser alcançada pelo modo menos gravoso.

Assim, para advogar é necessário estar o formando devidamente qualificado, não bastando ter sido aprovado por uma das 1.174 faculdades existentes no País, que não formam juízes, promotores, delegados, advogados, mas apenas bacharéis em Direito em cursos, na sua maioria, cada vez mais deficientes, que não buscam excelência, e sim clientela e lucro.

Em Portugal editou-se o Regulamento Nacional do Estágio, em vista da diminuição generalizada da qualidade do ensino, com a degradação da profissão do advogado, razão pela qual cabe à Ordem zelar pela formação e valorização profissional, obrigando-se ao bacharel estagiar por dois anos em escritório de advocacia, para garantir conhecimento adequado de aspectos técnicos e éticos da profissão, ao final dos quais é submetido a exame de avaliação.

Em França o bacharel em Direito presta concurso para ser admitido em curso organizado pela Ordem dos Advogados com duração de 18 meses, durante os quais estuda o estatuto e a ética profissional, além de temas jurídicos, com período final de estágio junto a um advogado, após o que se submete a exame.

Na Itália o bacharel em Direito deve realizar dois anos de prática forense após se laurear, tempo após o qual pode vir a prestar exame de habilitação profissional.

No Brasil há hoje 700 mil advogados. Quando do recadastramento em 2004 havia 420 mil, o que significa que o número de advogados cresceu 70% em sete anos, mesmo com a exigência do Exame de Ordem. Nas 1.174 faculdades de Direito há 700 mil estudantes. Surgem com diploma de bacharel em Direito na mão cerca 100 mil pessoas por ano.

Em 1963 criou-se o Exame de Ordem, que poderia ser substituído por estágio do ainda estudante em escritório de advocacia cujo titular tivesse cinco anos de inscrição na Ordem. Na ditadura, em 1972, sendo ministro da Educação o coronel Passarinho, extinguiu-se o Exame de Ordem e se permitiu que o estágio fosse realizado nas próprias faculdades, que atestariam o aproveitamento do aluno para inscrição na Ordem dos Advogados. Criava-se nova fonte de renda para as faculdades particulares e desprestígio para a classe que constituía o bastião de resistência democrática.

Em 1994, novo Estatuto da Ordem reinstalou a exigência do exame para admissão nos quadros da advocacia. Agora, um bacharel reprovado interpôs, por meio de advogado, mandado de segurança no qual argumenta ser inconstitucional o Exame de Ordem, pois afronta o artigo 5.º, XIII, da Constituição, que garante o livre exercício de trabalho e de escolha profissional. Na verdade, esse inciso condiciona o livre exercício de trabalho ao atendimento das “qualificações profissionais que a lei estabelecer”.

A arguição de inconstitucionalidade foi rejeitada em primeira e segunda instâncias, mas agora chega ao Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário. O parecer do Ministério Público Federal é pela acolhida da inconstitucionalidade do Exame de Ordem, pois seria uma forma de limitar um mercado de trabalho reconhecidamente saturado, havendo perigosa tendência a reserva de mercado.

Em gritante contradição, o parecer do Ministério Público admite a “notória deficiência do ensino jurídico no Brasil” e propõe, reeditando a solução do coronel Passarinho ao tempo da ditadura, a adoção dos Núcleos de Prática Forense, previstos em portaria e resolução do Ministério da Educação, de responsabilidade das próprias faculdades, com professores do curso.

Contraditoriamente, o parecer confessa a necessidade de se restringir o acesso à profissão de advogado mediante a chancela da OAB, a fim de que da atuação de bacharéis não decorram “riscos à sociedade ou danos a terceiros”. Propõe, todavia, que essa chancela se faça mediante impossível supervisão pela Ordem dos Núcleos de Prática Forense mantidos pelas próprias faculdades com seus professores. Ora, nenhuma faculdade vai considerar o seu bacharelando inapto para o exercício da advocacia: é a raposa cuidando do galinheiro. O núcleo gerará renda e passará também a ser fonte de falso prestígio da faculdade.

Se o Ministério Público, com razão, reconhece a possibilidade de risco para a sociedade com o ingresso automático de bacharéis na OAB, é evidente que a exigência de qualificação por via do Exame de Ordem não pode ser vista como expediente de reserva de mercado. É, sim, um meio de proteção da sociedade, do interesse de todos, do Judiciário e da própria democracia, pois a OAB tem por finalidade a defesa da ordem constitucional e sua força promana do prestígio social, a não ser comprometido com a inclusão de manifestos incompetentes em seus quadros.
ADVOGADO, PROFESSOR TITULAR DA FACULDADE DE DIREITO DA USP, MEMBRO DA ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS, FOI MINISTRO DA JUSTIÇA

03/09/2011

Questão de bom senso

Atualmente, os direitos do consumidor são cada dia mais comentados em todas as esferas, áreas, pessoas. Principalmente, após a obrigatoriedade que os estabelecimentos têm de deixar disponível um exemplar do código de defesa do consumidor.

Apesar de todos os esforços em colocar a lei o mais próxima possível da população, ainda, existem consumidores e fornecedores que insistem em fingir que ele não existe.

Importante mencionar que o código não veio apenas para beneficiar a pessoa do consumidor, mas também, o fornecedor. Não existe apenas para “castigar” o fornecedor. Em absoluto! Mas também para deixar todos cientes de seus prazos, opções, práticas lícitas, onde reclamar e quando etc.

Tenho me deparado com a sguinte situação, seja presenciando, seja ouvindo algúem dizer: o produto ou serviço dá algum tipo de problema, e efetivamente, não pode ser usufruido da maneira adequada ou integra. Pois bem, o que devemos fazer?

Claro que ficamos imensamente aborrecidos com o vício ou defeito apresentado. Nesta situação devemos reclamar. Por óbvio! A partir do momento que ocorre o problema, tenho o direito de reclamar, porém, é interessante mencionar que o fornecedor também tem prazo para consertar ou resolver o problema. Possui, conforme artigo 18, §1º, do código de defesa do consumidor, um prazo de trinta dias para resolver o impasse, sendo que este prazo pode ser dilatado ou diminuido se as partes assim o quiserem.

Porém, mesmo com este direito cristalino a favor do fornecedor, existem pessoas que sequer tentam dialogar, e já procuram imediatamente o Poder Judiciário. Não concedendo a oportunidade do fornecedor atender a insatisfação,  resolver, dando a falsa idéia de que foi o intolerante. Muitas vezes só se dá conta do problema, dentro do fórum, na audiência de tentativa de conciliação.

A pessoa não pode procurar o Poder Judiciário? Claro que pode.  Porém,  por uma questão de bom senso, educação, civilidade, cidadania, deveria tentar, primeiramente, entender-se com a outra parte, para então, depois de uma tentativa frustrada, “correr às saias” do Judiciário.

Da mesma maneira que o consumidor tem o direito de reclamar, o fornecedor também tem o direito, a chance de resolver o problema. Os direito são iguais e dentro das limitações e opções de cada parte.

Neste sentido, percebemos que não está havendo espaço para as conciliações. Não se procura mais a outra parte para uma conversa civilizada. E, mesmo, quando se percebe que não há muita intenção do outro lado aceitar, porque não pedir para uma terceira pessoa intervir e colaborar?

O Poder Judiciário não deve ser nossa primeira alternativa para se resolver um conflito. Ele é apenas uma alternativa, e algumas vezes é a que nos resta! Mas, devemos nos esforçar para que nunca seja a única.

Não sou favorável nem a um lado nem ao outro. Apenas, alimento a idéia que, na maioria daz vezes, o acordo é a saída mais salutar para os conflitos.

Isso só deixa mais clara que as relações humanas estão delicadas, frágeis demais, não possuindo o ser humano mais a condição de se entender com seus iguais.

Vamos repensar! Civilidade, educação são apenas uma questão de bom senso!

Vamos praticá-lo ou torcer para que nas farmácias comecem a vender.

Pois não, no que posso ajudar?

Quando pretendo comprar algo ou adquirir algum serviço, sempre imagino que o atendimento está incluído no “pacote”.

Não é apenas uma questão de se comprar um produto ou serviço de qualidade, mas também, há a necessidade de que o atendimento seja eficiente, funcional, individualizado para as necessidades daquele cliente, para que ele se sinta especial e, por consequência, retorne e divulgue o estabelecimento.
Vc encontra bons lugares para comprar, mas em contrapartida, encontra cada “lugarzinho mequetrefe”!!! Mau atendimento, falta de preparo e paciência dos vendedores, caras feias, má postura, insatisfação.

Os empresários têm que se conscientizar que atendimento é o espírito da coisa. Não é só vender por vender. Bom atendimento não é favor, é obrigação, é responsabilidade do empresário e daqueles que representam o negócio. Tem que haver treinamento de seu pessoal, pois são eles que “dão a cara a tapa”! A equipe tem que estar unida e confiar naquele que determina da ordens! Não adianta o chefe mandar se ele não sabe fazer. O funcionário tem que ver o chefe em ação! Só pode cobrar quem tem moral para tal!
O atendimento quando bem feito, fará com que o cliente se fidelize e seja definitivamente conquistado.
Interessante quando o vendedor ou responsável, depois da data da compra, entra em contato com o cliente para saber de suas dúvidas ou eventuais problemas ou insatisfações que advieram da compra do produto ou serviço.

Não é só atender ao consumidor….o atendimento deve ser BOM, FUNCIONAL, ADEQUADO E EFETIVO!

Uma certa vez presenciei uma situação: uma cliente entrou na loja, reclamou a beça, deixou registrada toda sua revolta. O vendedor ouviu calma e atenciosamente! Após a exposição de motivos da cliente, ele balançou a cabeça confirmando que ela estava certa, porém não tinha como atendê-la. Ele foi tão educado, tão paciente…que ela saiu da loja rindo e agradecendo!!
Isto é bom atendimento! É responsabilidade não só objetiva como social daqueles que exercem as atividades empresariais. O direito ao bom atendimento está assegurado não só por uma questão de sensatez e de boa educação, mas também garantido em lei, no artigo 6º do Código de Defesa do Consumidor, Lei 8078/90.

O povo brasileiro está cada vez mais exigente sim! Não vamos nos subestimar, achando que “é povo besta, burro” e que não sabe reclamar. Aos poucos vamos nos educando e aprendendo o que fazer com nossos direitos e cobrar dos outros suas respectivas obrigações.
Não é cobrar por cobrar, mas fazê-lo com fundamento com motivação!

A idéia de se obrigar os estabelecimento a adquirirem e colocarem à disposição um exemplar do código de defesa do consumidor é sensacional. E tem funcionado! Vários locais visitados já estão praticando.
Sinal de mudança pra melhor! Quanto mais conhecimento tivermos sobre nossos direitos, mais poder teremos sobre nossas decisões! Vamos em frente!

Código de Defesa do Consumidor nos Estabelecimentos Comerciais

Lojas devem ter Código de Defesa do Consumidor

http://www.jusbrasil.com.br/noticias/2294233/lojas-devem-ter-codigo-de-defesa-do-consumidor

Folhapress, de São Paulo

Todos os estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços do país devem ter um exemplar do Código de Defesa do Consumidor disponível para consulta.

É o que determina uma lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que entrou em vigor ontem, após publicação no Diário Oficial. O projeto, de autoria do deputado Luiz Bittencourt (PMDB-GO), estava em trâmite no Congresso desde 2001.

Segundo a norma, o código deve estar em local visível e de fácil acesso ao público. Em caso de descumprimento, a penalidade é de multa de até R$ 1.064,10. Foram vetados pelo presidente os artigos que previam suspensão temporária das atividades e a cassação de licença caso a lei não fosse obedecida.

A Fundação Procon-SP entende que a medida é benéfica. Em nota, afirmou que “é positivo que o consumidor tenha informação sobre seus direitos no momento em que estabelece uma relação de consumo”. Já os sindicatos de lojistas reclamam da nova lei e preveem dificuldades para a implementação.

O Sindicato dos Lojistas do Comércio de São Paulo (Sindilojas-SP) ainda tem dúvidas com relação à regulamentação e solicitou a seus filiados que aguardem alguns dias para cumprir a norma.

“Vamos entrar em contato com o ministério e com o Procon para apurar melhor os detalhes. Não está esclarecido como a multa vai ser cobrada e qual o prazo para recurso”, afirma Luiz Toledo, consultor jurídico do sindicato.

Por sua vez, a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop) reclama que a lei não prevê prazo para os varejistas se adaptarem. “Fomos pegos de surpresa, não fomos convocados para debate. A lei tem que ser cumprida, mas queremos um prazo de 30 a 60 dias”, diz Nabil Shayoun, presidente da associação.

Fonte: Valor Econômico em 22-07-2010.

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