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Aborto

O aborto é assunto delicado, devendo ser tratado com atenção e responsabilidade.

Qualquer mulher que sofre o aborto por razões alheias a sua vontade, por uma condição física que não lhe permite, até então, seguir com  a gravidez em frente, sente-se, pessoalmente, insegura, incapaz, ferida. Claro que isso é temporário, até se recuperar e novamente estar em condições físicas e emocionais para gerar uma nova vida.

Se de uma maneira inconsciente, é difícil tal situação, tento imaginar aquela mulher que opta, conscientemente, em realizar o aborto. Por favor, não estou aqui, criticando quem o faz. Afinal de contas cada um sabe de si. Estou levantando a questão que a decisão em si pode trazer após a consumação do ato, sejam por quais questões forem, pessoais, religiosas, jurídicas, sociais etc, deve ser imensamente árdua, amarga.

Alguns são contra a descriminalização do aborto, outros não. Debate relevante, porém, perigoso e que deve ser analisado com cautela. Uns consideram o aborto um crime contra a vida, e outros o consideram um direito que a mulher tem de dispor de seu corpo com autonomia.

Não devemos esquecer que há previsão legal para que se efetue o aborto, sendo oportuno ressaltar que em nosso Código Penal, em seu artigo 128, que autoriza o aborto em dois casos específicos, quais sejam:

Art. 128 – Não se pune o aborto praticado por médico:

        Aborto necessário

I – se não há outro meio de salvar a vida da gestante;

Aborto no caso de gravidez resultante de estupro

II – se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.

E, ainda, esta se discutindo sobre a possibilidade de liberação de aborto de anencéfalos, haja vista que em sua esmagadora maioria, nascem sem vida ou sobrevivem apenas alguns dias após o parto.

Além deste ponto, leva-se em consideração também: qual o exato momento em que se considera o início da vida? Existem algumas teorias que levam em consideram para garantir seu início:  quando há a fecundação;  quando o feto se fixa na parede do útero; quando iniciada a atividade cerebral que é por volta de oito semanas de gestação; entre outras. Estas teorias são consideradas tanto na esfera jurídica como religiosa.

Mas, independentemente de teorias, quero levantar que sempre que ouvi ou vi alguma mulher passar por esta situação, o processo até se chegar a decisão final, e a própria decisão em si, é extremamente difícil, angustiante, sofrido, e que na maioria das vezes, após o feito, aquela que praticou, arrepende-se, e creio que levam por toda a vida culpa dentro de si.

Acho mais interessante que para o número de abortos diminuir, principalmente, na adolescência, até porque o aborto também é praticado por todo tipo de mulher seja qual for sua condição econômica, social ou profissional, é apresentar campanhas severas e eficazes de educação sexual. Porque para muitas pessoas, pode-se considerar o aborto como uma grande escapatória para a falta de irresponsabilidade por não saber levar uma vida sexual madura.

Não consigo admitir o que pode passar na cabeça de uma mulher, quando se vê inesperadamente grávida e que nem por isso esperava! Creio que deve dar uma sensação de desconforto, medo à primeira vista…mas, até o ponto de pensar, e realmente colocar em prática o aborto? Por que não assumir uma responsabilidade que você mesma produziu por sua mera falta de cuidado? Se aquela criança foi gerada, é porque tinha algo a acrescentar. Não temos o direito de condenar uma criança, por uma atitude minha mal planejada.

Será que a mãe prefere abortar e carregar dentro de si esta culpa, este peso a assumir seu filho? Entendo plenamente que deve dar uma frio na barriga, um receio desta experiência tão única, mas a ponto de não deixar aquela vida prevalecer! Eu não conseguiria. Assumiria meu filho seja de que forma fosse e cuidaria dele, pois se foi enviado é porque tenho que cumprir mais esta missão.

Alguns admitem que o aborto é uma forma que a mulher tem de dispor de seu corpo da maneira que melhor lhe convier, e quando há imposições legais, estas vem suprimir-lhe este direito. Daí então pergunto: mas antes de engravidar, e por ser tão independente, por que não se cuidou, não se preveniu da maneira mais adequada? Isso sim é que é livre disposição de seu corpo, levando em conta a consciência pelos atos efetuados e que devem ser assumidos.

Pessoalmente, acredito que a maneira menos sofrida e que trará melhores condições pessoais de seguir em frente é assumir e deixar a gravidez seguir seu rumo normal. Não abra mão de proteger a vida, vida esta que você colaborou efetivamente para que se originasse.

Portanto, não concordo com a ampliação das opções em descriminalizar o aborto. Nosso país não é tão maduro para que uma idéia desta seja amplamente difundida e liberada.

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