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Vítimas das enchentes de 2010 em Alagoas: 1 ano de infinita espera

Após uma semana atribulada de trabalho, afazeres pessoais, casa e outras coisas, finalmente, chegou sexta-feira. Estava cansada, bem cansada. Só queria chegar em casa e relaxar. E assim foi feito. Pois…

…no dia seguinte, 18/06, bem cedinho, comprometi-me com alguns outros amigos e blogueiros (@Marques_jm, @CanAlmeida, @LaiseMoreira, @fleming_al, @RinaldoOficial, @JoaoH.HolandaCaldas e outros mais), a visitar algumas das cidades que passaram pela cruel situação das enchentes de 2010: Murici, União dos Palmares, São José da Laje e Branquinha. Todos registramos em nossos blogs nossas impressões pessoais. Vale a pena ler!

Vi paisagens que ninguém gostaria de apreciar. Emocionei-me demais. Eu não parava de me indagar: como estas pessoas suportam esta situação? Como é que o governo permite que estas condições perdurem? Eu só acreditei, porque estava presente, porque vi com meus próprios olhos. Todos os outros blogueiros perplexos.

Logo após as enchentes em que as pessoas perderam praticamente tudo, quando não era tudo, foram distribuídas barracas para que pudessem temporariamente viver. Quer dizer, de temporário não tem nada. Tal situação estende-se desde a data fatídica…completou 1 ano. Se viver dentro de uma barraca daquelas por 1 mês já é um absurdo, quem dirá um ano!

Nas cidades de Murici e Branquinha a situação era bem complicada. Em União dos Palmares, menos pior. E a de São José da Laje era a mais amistosa, mas não menos lamentável.

Difícil é manter-se dentro das barracas, haja vista a alta temperatura. Instalações precárias, apertadas, desconfortáveis.

As cozinhas distribuem as refeições que são entregues para as pessoas que ficam um tempo considerável nas filas. Chegam cedo para poder comer na hora mais comum de almoço. Não há nenhum abrigo caso chova, enquanto aguardam nas filas.

Em Murici, os banheiros públicos são como fossas, barracas sujas, pioradas em razão da época de chuvas. Degradante.

Em Branquinha, para trabalhadores poderem ir de um lado da margem do rio para outro, precisam se utilizar de uma “balsa”, onde um único homem faz o transporte, pois a ponte ainda não foi terminada. Podemos ver, claramente, as marcas nas casas que registram até onde a água foi. Praticamente, no telhado.

Em União dos Palmares, o banheiro coletivo e a lavanderia estavam interditados, fechados. Um cheiro muito forte de esgoto. Crianças em situação caótica, maltratadas, carentes de absolutamente tudo.

Já em São José da Laje, como já citado, a situação era um pouco menos precária. Há uma mínima organização, limpeza, estrutura. Banheiros coletivos limpos, lavanderia funcionando, pessoas com produtos de limpeza em suas barracas, a cozinha possuia um cartaz com dicas de higiene, local para prestar assistência médica, odontológica e psicológica. O rosto das pessoas era mais receptivo do que nos outros alojamentos que visitamos, onde as pessoas, naturalmente, olhavam com desconfiança e curiosidade nossa movimentação.

Porém, apesar de um detalhe ou outro, a situação é desgraçada em todos os locais que visitamos. Falta de estrutura em sua amplitude: falta de segurança, falta de lazer, falta de higiene, falta de moradia, falta de esperança…excesso de uma realidade lamentável e que nenhum ser humano merece.

Oportuno, portanto, comparar a situação e mencionar o artigo 6º da nossa Constituição Federal que determina:

Art. 6º. São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados , na forma desta Constituição.

Nossa! Isto está cristalinamente determinado na Constituição Federal? Pois é…não estão sendo feridos apenas os direitos sociais, mas pior ainda, direitos éticos e fundamentais cabíveis a qualquer cidadão seja ele quem for.

Portanto, claramente concluimos que estas pessoas estão excluídas da sociedade. Pois se têm direitos, constitucionalmente garantidos, deveriam poder exercê-los em sua inteireza. Direitos estes que não dependem só da boa vontade do cidadão, mas depende da capacidade e competência do Estado em proporcionar o mínimo para que um ser possa se sentir humano, gente, cidadão. Não que aquelas pessoas não o sejam. São tão cidadãos quanto todos nós, mas o Estado faz questão de esquecê-los, fazendo de conta que não existem.

Estas pessoas são vítimas por duas vezes: das enchentes e do descaso dos “homens públicos”. Simplesmente, por serem humanos devem ser tratados de maneira digna, decente, humanizada.

Que Estado é este que deixa seus filhos a mercê da própria sorte? Como alguém pode se sentir seguro, amparado em um local que não oferece o básico? Como alguém pode acreditar ou ter esperança na mudança? Que tipo de mensagem poderíamos ter deixado para estas pessoas? Infelizmente, qualquer palavra dita em absoluto poderia fazer com que aquelas pessoas se sentissem melhores.

Podemos perceber a construção das casas próxima aos locais das enchentes, mas por que ainda não foram entregues? Não existe justificativa plausível para tamanha falta de compromisso.

Não sei porque tenho a impressão de que só serão entregues ano que vem! Em 2012: ano de eleição?! Estou sendo crítica ou pessimista demais?! Não, apenas realista.

Não podemos deixar esta situação perdurar. Temos que denunciar. Temos que, de alguma maneira, alertar a sociedade do que está ou não sendo feito. Imagina se vc deixa de pagar um imposto, uma multa…o que te acontece? Um erro não justifica o outro, mas é fato!

Quando retornei das visitas, voltei repleta de compaixão e revolta ao mesmo tempo. Não me serviram apenas como cidadã, mas como ser humano, pois agradeço mais ainda a vida que possuo. Eu e meus amigos blogueiros saimos da nossa zona de conforto e pudemos constatar que nossos semelhantes passam por uma situação degradante.

Vamos nos colocar, nem que seja às vezes, no lugar do outro. Isso é solidariedade! Quem é solidário não tem dor, não perde nada. Só ganha! Pois sente que cumpriu uma pequena parte nesta grande missão chamada vida.

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